Domingo, 25 de Dezembro de 2011

Diário Inédito

Sim, odeio.
Mas odeio lealmente, sinceramente do fundo
Com esta certeza de ódio, como outra qualquer certeza
                                            que faça mover o mundo.
Vou como posso.


Vergílio Ferreira

Tó Pica

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

espelho

Do outro lado do espelho existo tanto
– Rosto impassível – quanto me imagino
Que o mito da existência desencanto
Compondo silencioso o meu destino

Do outro lado do espelho, escuto o canto
Inútil que ensaiei desde menino
E a lâmina entre nós cai como um manto
Que isola a nuvem e elimina o sino.

Mas através do vidro – vã imagem –
Percebo a solidez do corpo, a vida
Nos olhos transbordantes de paisagem.

Existimos à parte, independentes
E a gargalhada que nos intimida
Nem sequer utiliza os mesmos dentes.

In LAGO BURNETT, O Ballet das Palavras, Edições Afluente. São Luís, 1951

Por: J Maria Castanho